Alunos e professores da Escola de Música Villa-Lobos levam “Casa de Sonhos” à Sala Cecília Meireles

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Foi uma tarde de domingo para ficar marcada na história da Escola de Música Villa-Lobos.

No dia 11 de dezembro, 160 músicos, dentre alunos e professores da EMVL, participaram do espetáculo “Casa de Sonhos”, na Sala Cecília Meireles. Eles puderam mostrar o resultado de ensaios exaustivos em repertórios de gêneros variados para diferentes instrumentos, dos mais populares aos mais eruditos.

Tudo começou no primeiro ato, com o hall da Sala lotado e o público embalado pelo o Coro Infantojuvenil e a ciranda “Casa de Farinha” (domínio público), numa alegoria da infância e sua latente expressão artística do canto e da dança. O coro tem orientação do maestro e professor Leandro Gregório. A ciranda levou o público em cortejo para dentro da sala, e as vozes continuaram no palco cantando cirandas tradicionais pernambucanas, com destaques para “Onça” (Juca do Bolo) na voz da soprano Nila Clara, e “Berimbau” (Vinícius de Moraes e Baden Powell) com a capoeira de Átila Soares e o berimbau de Mestre Riko.

Homenagem ao maestro Heitor Villa-Lobos não poderia faltar, e a Fina Batucada, o grupo de percussão composto só de mulheres, ousou ao convidar o guitarrista Rafael de Oliveira “Farofa” para rasgar o som com os agudos em “Trenzinho caipira” embalados pelos repiques, chocalhos e agogôs regidos por Mestre Riko. O grupo também interpretou trecho do “Bolero”, de Ravel, e o Hino Nacional Brasileiro.

Na sequência, o Coro Infantojuvenil voltou ao palco, desta vez em trajes de gala para a Missa Gospel, um repertório do canto popular americano de louvação religiosa responsável pela formação de diversos cantores. A regência ficou novamente a cargo de Leandro Gregório, com Gisele Sant´Anna no piano, e o destaque para a perfeição nas vozes das solistas Suzana Santana, Val Coutinho e Átila Soares.

Após o Coro Infantojuvenil, foi a vez da Orquestra de Câmara, sob a regência do Maestro Marcelo Palhares, interpretar obras clássicas de Antonio Vivaldi e Handel. A orquestra contou com as participações especiais da soprano Willa Soanne e do flautista Eugenio Ranevsky.

Demonstrando que a Escola de Música Villa-Lobos mescla em seu ensino o melhor da música brasileira e suas principais influências, o grupo Chorando Baixinho leva de volta ao palco um repertório popular, agora com obras-primas do choro, como “Andorinha” (Xavier Filho), “Murmurando” (Fon Fon), e “Na Glória” (Raul de Barros), tudo sob a tutela do clarinetista Genivaldo Soares.

Repertório mescla o melhor da música brasileira com suas principais influências de todos os tempos

O segundo ato começou com o grupo Villa Quinteto, formado por professores consagrados da Escola de Música Villa-Lobos: Alfredo Machado (violão), Anderson Cardozo (piano), Omar Cavalheiro (baixo), Luis Medina (saxofone) e o aluno Edmilson Silva substituindo o professor Rodrigo Serra (bateria). No repertório, obras-primas de Hermeto Pascoal, Noel Rosa e Edu Lobo.

Em seguida, um dos pontos mais emocionantes da noite. O Coro de Câmara, composto por mais de vinte coralistas, mostrou no palco da Sala Cecília Meireles um resultado irretocável de seu espetáculo “Bitucanto”, em que interpretam canções de Milton Nascimento. Entre movimentações corporais e ocupação dos corredores da plateia, obras-primas como “Ponta de areia”, “Travessia”, “Cais”, “Cio da Terra”, “Maria Maria”, dentre outros, emocionaram o público. O Coro de Câmara da Escola de Música Villa-Lobos é regido pelo maestro José d´Assumpção, possui direção cênica de Nayamara Bomfim e preparação vocal de Fabíola Carvalho e Daniel Cavalcante. A apresentação contou com as participações especiais de PC Castilho, na flauta, e Mestre Riko, na percussão.

Um dos maiores nomes do piano brasileiro, professor da Escola de Música Villa-Lobos, João Carlos Assis Brasil subiu sozinho ao palco e tomou conta do piano e da plateia, mesclando sua leveza e virtuose nas teclas num repertório em homenagem às trilhas clássicas do cinema.

Fechando as apresentações, as bandas Black e Jazz Total levaram mais de 30 alunos ao palco sob a regência do maestro Jorge Éder, e atacaram uma sequência de sucessos populares que se eternizaram na música brasileira, como “Aquarela do Brasil” (Ary Barroso), “Mais que nada” (Sérgio Mendes) e “Samurai” (Djavan), além de requintadas pérolas do soul brasileiro, como “Bom Começo” (Adriano Gioffoni) e “Leblon via Vaz Lobo” (Banda Black Rio).

A Fina Batucada voltou ao encerramento, sob a regência de Mestre Riko, finalizando com chave de ouro num cortejo que levou o público à frente da Sala Cecília Meireles.

Desta forma, após esta memorável tarde de domingo, num dos mais importantes espaços de apresentação musical do país, a Sala Cecília Meireles, jovens músicos e profissionais qualificados se uniram para abrirem portas, para si próprios e para todos que acreditam numa sociedade em que a cultura, em especial a música, deixe de ser algo inalcançável e restrito, para algo universal e acessível a todas as camadas da população. São as portas da ‘Casa de Sonhos’.

E o sonho se tornou realidade. Viva a música!