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XIX SALÃO CARIOCA DE HUMOR
O Salão Carioca de Humor é um evento anual do Governo do Estado do Rio de Janeiro, através de sua Secretaria de Estado de Cultura e da Fundação Anita Mantuano de Artes do Estado do Rio (Funarj). Realizado há 19 anos na Casa de Cultura Laura Alvim/Funarj, transformou-se numa tradição e num marco da vida cultural carioca. Duas décadas se passaram desde que uma banda de música tocou marchinhas de carnaval na calçada da Vieira Souto, na praia de Ipanema, anunciando a abertura de um primeiro salão de humor no Rio de Janeiro. Um evento diferente, novo, engraçado, irreverente, e num local inusitado, na época em que os “centros culturais” não eram o fenômeno que movimenta a cena como agora: uma casa, uma residência, transformada em museu. Tanto que a sua denominação oficial não foi a de centro mas de “Casa de Cultura”. Uma casa especial de culturas especiais. Pois fora a residência Laura Alvim, apaixonada pelas artes e neta de Ângelo Agostini (o patrono do desenho brasileiro), uma precursora de garotas de ipanema, e que transformou seus cômodos em ateliers onde artistas pudessem produzir suas obras. O centro Laura Alvim, desde a sua idealização por Darcy Ribeiro, priorizou as formas alternativas de cultura, os artistas iniciantes e as manifestações ousadas. Como as edições do Salão Carioca, que resultaram em exposições e debates em torno de um gênero considerado marginal dentro das artes: o desenho. E, ainda mais marginalizado, embora sempre popular: o desenho de humor. Para o público de 1988, foi uma grata novidade. Os artistas conheciam os salões de humor pelo sucesso do Internacional de Piracicaba, um facho de luz nos anos cinzentos da ditadura (e hoje, com 34 edições, o mais tradicional evento gráfico do mundo). E pelo bem-sucedido Salão do Piauí que, num nordeste árido de eventos, atraía multidões de vários estados para ver exposições montadas nas ruas de Teresina. Mas o Carioca – completando o trio dos grandes salões brasileiros – sempre foi especial. O Salão onde os artistas sentem-se em casa, na cidade com a maior concentração de humoristas do Brasil, lugar onde o humor é um estado de espírito e o riso é (sim, ainda hoje, sim!) inerente ao seu povo. Dezenove edições, driblando obstáculos, mudanças de governo, verbas voláteis, todas aquelas dificuldades que quem produz cultura no Brasil conhece bem, o Salão já passou de sua maioridade e prepara-se para entrar na sua terceira década de existência. |
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