Julia Portes leva “É Sobre Você Também” à Casa Rio por um mês

“É Sobre Você Também”, de autoria e interpretação de Julia Portes, com direção de Fernanda Alice e supervisão de direção de Maitê Proença , que estreia no sábado, 29 de julho, às 20h, na Casa Rio, em Botafogo, para temporada de um mês, é resultado de uma composição artística concebida em 2016.

Inicialmente, a criação foi apresentada em festivais como o Fest&Arte Festival de Santa Teresa, o Festival Niterói em Cena, entre outros, e chegou à Mostra Cenas Curtas do Festival de Teatro do Rio do ano passado. Na ocasião, a jovem atriz precisou apenas de 20 minutos transitando por uma narrativa que mistura drama e comédia para ganhar os prêmios de Melhor Texto e Melhor Atriz da categoria Cenas Curtas. A atriz, autora e diretora Maitê Proença, após assistir à performance autoral de Julia no Festival de Teatro do Rio, aceitou o seu convite para fazer a supervisão de direção da peça.

“Amo a atriz que a Julia é. Amo esse texto que ela arrancou do fundo de suas verdades e dúvidas. É pessoal e inteligente. É impessoal também, porque atinge a todos. É um voo rumo à liberdade”, diz Maitê sobre a autora e seu trabalho.

Com iniciação artística em 2004, nas aulas do teatro O Tablado de Maria Clara Machado, Julia Portes é formada em Artes Cênicas pela Universidade Cândido Mendes. A intérprete de 21 anos comemorou em abril deste ano mais um reconhecimento em sua carreira, com a indicação de Melhor Atriz Coadjuvante no Internacional Filmmaker Festival, na França, por sua atuação como Nina, no curta metragem Sinais, dirigido por Guilherme Azevedo.

No Rio, sempre buscando práticas teatrais e aprimoramento, Julia participa do Brecha Lab, laboratório de teatro coordenado pelo ator, diretor, dramaturgo e produtor, Patrick Sampaio, que está em É Sobre Você Também como o “provocador convidado”. Habituada a transpor questões existenciais para a escrita desde os 14 anos, e atuando desde os sete, a atriz agora é a moça que entra em cena num vestido de noiva carregando uma sacola de relíquias que vai revelando aos poucos. O que ela traz são questionamentos internos que dizem respeito a todos, mas que nem sempre enxergamos no dia a dia de nossas vidas.

“A peça surgiu a partir do trabalho que faço no Brecha Lab, que aborda composição e viewpoints como forma de técnicas de criação”, explica Júlia. Eu buscava autonomia, algo que eu pudesse fazer sem depender das pessoas. Foi muito importante estar no laboratório porque lá foi o lugar que mais me deu ferramentas para construir dramaturgias minhas, entender sobre composição e como manifestar subjetividades.

Julia Portes teve também a oportunidade de apresentar o trabalho em Portugal, no Anfiteatro da FLUL – Universidade de Lisboa. De volta ao Brasil, ela deu mais fôlego à cena, o texto cresceu e transformou-se numa peça de 50 minutos.

“A composição inicial tinha 10 minutos. Ano passado cheguei ao Festival do Rio com um texto que cresceu a partir deste fragmento e ficou com 20 minutos. Com o tempo, quanto mais eu me afetava pela performance e percebia que o público também, mais eu sentia a necessidade de desenvolvê-la e foi o que eu fiz”, conclui Julia.

A peça é dirigida por outra atriz, Fernanda Alice, ligada a Julia por laços de uma antiga amizade, já que as duas cursaram juntas a faculdade de Artes Cênicas e se tornaram parceiras no grupo Dois é Ímpar, em que se revezam na colaboração artística para os trabalhos teatrais de uma e de outra. Em 2010, Fernanda teve oportunidade de estudar atuação e direção em Nova York, na New York Film Academy, onde atuou em curtas metragens. Em 2015, ao participar do FESTU (Festival Universitário de Teatro) com o esquete Combate Corpo a Corpo, foi premiada nas categorias Melhor Direção e Melhor Júri Popular.

“Trabalhar o espaço, as quebras de dinâmica, era algo que eu pensava como atriz e, de dentro, você acha que está fazendo tudo. Mas vendo de fora, com a visão de direção, a gente consegue perceber que o espaço, uma luz, uma forma de se movimentar contam uma história”, comenta Fernanda.