“Lugar de Mulher É Na Arte” celebra criação feminina no Museu do Ingá

O projeto educativo da exposição “Experimentação e Método – Oficina de gravura do Ingá” realiza programação especial para o Dia Internacional da Mulher. de quinta a domingo no Museu do Ingá, em Niterói.

“Lugar de mulher é na arte” é o tema central do evento, que vai debater a presença feminina na arte brasileira e nos acervos de museus e faz parte da exposição que marca 40 anos da oficina idealizada pela artista Anna Letycia, que projetou diversos artistas da geração 80 e que se tornou um polo central para a cena artística de Niterói e do Rio de Janeiro.

Com a curadoria de Marcus Lontra e Viviane Matesco, a mostra no Museu do Ingá vai até 27 de maio com mais de 100 obras de 50 artistas

Em um universo de cerca de 5000 objetos culturais do Museu do Ingá, composto pelas mais variadas épocas e tipologias de acervo, foi identificado que 137 obras foram feitas por 71 artistas mulheres, representantes de diversos movimentos artísticos, dentre elas: Djanira da Motta e Silva, Edith Bhering e Renina katz. A partir deste acervo é possível ainda conhecer diferentes representações do cotidiano feminino pelas mulheres: a palheta impressionista de Georgina de Albuquerque, a arte moderna de Anita Mafalti e Tarsila do Amaral, a arte popular de Ana das Carrancas e pela experimentação artística de 30 artistas-gravadoras cujo acervo se encontra na Instituição.

Pensando neste tema, de quinta a domingo, de 08 a 10 de março, o Museu do Ingá realiza uma programação especial em comemoração ao Dia Internacional da Mulher. As atividades são voltadas para o debate sobre a presença feminina na arte brasileira e a entrada é gratuita.

Serão realizadas visitas guiadas à exposição “Experimentação e Método – Oficinas de gravura do Ingá”, com foco nas artistas presentes na exposição, como a própria Anna Letycia, grande homenageada da mostra pela sua contribuição a arte através das oficinas de gravura do Ingá.

Já no dia 09 de março, a partir das 14h, acontece um painel sobre o lugar da mulher na arte e nos museus, apresentado por Erica Castilho, coordenadora de arte-educação da Exposição Experimentação e Método. “Considerando o papel social do museu, o desafio da mediação é o de criar pontes de reflexão entre a arte e as questões sociais de maior relevância contemporânea. Nosso trabalho é criar um espaço de trocas onde a diversidade de opiniões possibilite o enriquecimento dos diálogos para construir um mundo melhor. Através da potência relacional da arte, abrimos nosso espaço para pensar a importância do papel das mulheres artistas, por meio dos trabalhos apresentados na exposição”, explica Érica.

Logo depois, às 14h30, uma roda formada pela curadora da exposição Viviane Matesco e as artistas Analu Cunha, Chang Chi Chai, entre outras presentes na mostra, vão discutir o tema. O evento segue com uma intervenção poética com Nivea Santana, com textos escritos por mulheres.

A exposição “Experimentação e Método” comemora os 40 anos da Oficina de Gravura do Ingá e resgata a memória de sua importância em um momento de redemocratização do Brasil e de grande efervescência cultural em Niterói. Significa, sobretudo, uma homenagem à sua idealizadora, a artista Anna Letycia, que implantou uma coordenação inovadora preocupando-se em não alijar a gravura dos debates contemporâneos e interseções com outras linguagens. Com esse intuito, atraiu inúmeros professores de diferentes suportes das artes visuais, como Alair Gomes, Aluísio Carvão, Newton Cavalcanti, Rubem Grilo, Carlos Martins, Ronaldo do Rego Macedo, José Lima, entre outros. A oficina para Anna Letycia é um “local de trabalho, um campo de pesquisa, troca de informações e experiências”. Esse pensamento de experimentação, mas também de rigor e método, priorizado pela artista tornou a Oficina do Ingá um polo central para a cena artística de Niterói e do Rio de Janeiro. “As oficinas do Ingá foram um dos berços artísticos dos anos 80. Uma geração que nasceu em ateliês, que não frequentou ‘aulas formais’ ou universidades. Nesse sentido, o Parque Lage, o Museu do Ingá e o MAM representaram locais de formação artística prática”, afirma Marcus Lontra que assina a curadoria da exposição junto com Viviane Matesco.

Experimentação e Método será o fio condutor da mostra que conta com obras da própria Anna Letycia, de seus professores Oswaldo Goeldi, Iberê Camargo e Darel Valença Lins, além de seus colaboradores e alguns dos seus ex-alunos que se destacam na arte contemporânea, como Analu Cunha, Marcus Andre, Felipe Barbosa, Rosana Ricalde, Ana Miguel, Fernando Lopes, Chang Chi Chai, Beatriz Pimenta, Armando Mattos, entre vários outros que produziram obras exclusivas para a exposição. Como uma comemoração do contexto artístico de Niterói, a exposição inclui também jovens artistas que nasceram ou atuam na cidade revelando seu vigor cultural. “Essa exposição homenageia Anna Letycia e consolida a importância da gravura não só pelo papel da Oficina, mas também pela coleção do Museu, referencia em Goeldi e tantos outros gravadores consagrados”, complementa a curadora Viviane Matesco.

A exposição Experimentação e Método amplia a gravura em um campo híbrido contemporâneo. A discussão da reprodutibilidade de imagens com múltiplos processos e tecnologias inovadoras será um caminho para explicitar a gravura numa concepção ampliada e experimental. O deslocamento da gravura em direção a outras linguagens enfatiza os procedimentos de impressão na gravura. Essas questões perpassam os trabalhos de artistas contemporâneos presentes nesta mostra que certamente marcará o olhar de quem a visitar.