Mostra “Duo” celebra Ipanema na Casa de Cultura Laura Alvim

Amigos desde a década de 1980, quando John Nicholson pintou Vanda Klabin descendo as escadas de sua casa, o artista e a curadora estarão juntos profissionalmente pela primeira vez. Agora, a dupla faz uma bela homenagem à beleza carioca e reúne num só espaço as curvas da musa nas areias e o horizonte do mar de Ipanema. Com cerca de 50 obras e texto de apresentação do jornalista Joaquim Ferreira dos Santos, a mostra Duo estará em cartaz até 25 de agosto na Casa de Cultura Laura Alvim.

Há mais de 40 anos no Brasil, o americano John Nicholson tem as praias da Zona Sul como principal cenário de suas obras. Em Duo, o artista, que formou nomes da Geração 80 como Daniel Senise e Beatriz Milhazes, apresenta aquarelas da série “A Rita Levou…”, inspirada na jornalista Rita Capell, uma legítima moradora de Ipanema. Desde o ano passado, John fotografa e pinta sua musa em momentos como o jogo de altinha na praia, o balanço a caminho do mar e ao violão no fim do dia.

“Gosto de observar o Rio de Janeiro e sua luminosidade intensa, com seus ritmos barulhentos e vitais. Nesse trabalho retrato a nova garota de Ipanema, agora madura, independente, que curte o sol, mas trabalha e decide o próprio futuro”, explica John. O público poderá conferir ainda na exposição sete pinturas em acrílico abstratas, da série “Abstratos Líricos”, que com sua explosão de cores, complementam as curvas e vibrações da cidade. Os abstratos também estão em cartaz na Galeria Patricia Costa.

Uma das principais curadoras do país, Vanda Klabin nasceu em Ipanema, onde passou parte da infância. Voltou a viver no bairro na década de 1990, de onde fotografa quase diariamente de sua janela o amanhecer e o entardecer na praia. Sempre inquieta e envolvida com inúmeros projetos ao mesmo tempo, em Duo ela apresenta ao público esses registros informais, que também costuma postar no instagram e passaram até a ser referência para os surfistas observarem o movimento das ondas.

“É um olhar quase cotidiano, um exercício despretensioso, uma imersão na beleza convulsiva da paisagem. Toda fotografia disponibiliza um pedaço do mundo e tanto ela quanto a pintura, são ambas sistemas de produzir imagens. Não fotografo a natureza em preto e branco e na majestosa paisagem não aparecem traços humanos”, explica Vanda, que começou a fotografar na década de 1970, inspirada em seus bons amigos fotógrafos.