PRÉDIO

O Cine-Teatro Colonial deu lugar a um dos melhores espaços para música de concerto do país - a Sala Cecília Meireles. A fachada do cinema foi adaptada sob coordenação do arquiteto Carlos Calderaro. A Sala, inaugurada em dezembro de 1965, esteve fechada por alguns meses por falta de condições técnicas.

Neste mesmo ano, um restauro parcial ocorreu através da Secretaria de Turismo, pois só não foram reformadas suas estruturas e fundações. O projeto da restauração teve o engenheiro Enaldo Cravo Peixoto.

As obras foram conduzidas pelo engenheiro Fernando Sampaio.Novos reparos em conseqüência dos estragos decorrentes da inundação da cidade em janeiro de 1966. Reaberta em 23 de agosto de 1966, sua decoração interior despertava uma sensação de imponência causada pela tapeçaria em vermelho, as paredes revestidas de jacarandá e dois grandes painéis de autoria de Bianco colocados no cimo da parede que separa o hall da sala de concertos propriamente.

A transformação em sala de concerto envolveu diversas modificações obedecendo as seguintes exigências: funcionalidade, conforto e acústica perfeita. Com decoração leve, entrada única e ampla, com todos os dispositivos de segurança em caso de incêndio, e duas saídas. Platéia, ao nível do palco, receberam poltronas reclináveis. No balcão há um pequeno foyer.

O foyer principal, localizado no hall de entrada, ganhou uma cafeteria e tem o piso atapetado, "as paredes de lambris decorados com dois painéis pintados por detentos de presídio do Estado."

A iluminação é feita por luminárias embutidas em forro falso, abrangendo a metade da área de cobertura, enquanto que a parte lateral sai dos interstícios dos lambris fundidos, proporcionando uma luz de efeito decorativo.

A acústica impecável tem um tempo de reverberação de 1,53 décimos de segundo, considerado pelos técnicos como um dos mais perfeitos; o som é natural, dispensando recursos eletrônicos em virtude da disposição arquitetônica das paredes e do teto. Para reforçar o nível sonoro do fundo do palco há placas refletoras na boca de cena. Na parte superior, há dois recintos especiais para a transmissão de concertos pelas estações de rádio.

O maestro Edino Kriegger sobre a reinauguração refere-se às excelentes condições técnicas e estéticas da nova sala: A nitidez com que se ouvem todos os mínimos detalhes, a extrema valorização do timbre e a docilidade da acústica aos matizes de intensidades fazem da audição, na Sala Cecília Meireles, mais do que um prazer - um verdadeiro privilégio. Sem prejuízo de sua perfeita integração, num mixing ideal, ouve-se com absoluta nitidez cada instrumento ou voz, como se os recursos mais avançados da gravação estereofônica, que permitem captar o som de uma flauta em meio ao mais altissonante fortíssimo, existissem ali ao natural, sem o auxílio de qualquer artifício... É igualmente prodigiosa a resposta do ambiente à mais leve mutação de intensidade..."

O responsável pela recuperação e o recondicionamento da Sala foi o arquiteto Hilton Hernandes de Faria, que conseguiu um rendimento acústico admirável, incluindo-o entre as melhores do mundo.

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