Na Galeria Laura Alvim, o olhar “Ímpar” de Carla Nobre Mendes sobre o Rio de Janeiro

Exposição

A fotógrafa e cineasta paulista Carla Nobre Mendes mostra seu olhar sobre o Rio na sua primeira individual na cidade, com curadoria do fotógrafo Felipe Hellmeister.

A exposição pode ser vista na Galeria Laura Alvim, de 11 de janeiro até 4 de fevereiro.

O olhar de Carla sobre o Rio é generoso e acolhedor. Mais do que isso: seu olhar é amplo e vai além do lugar comum – mesmo quando registra uma paisagem mais “manjada”, para usarmos uma expressão bem carioca. Nas 26 imagens selecionadas por ela e por Felipe para a mostra, a fotógrafa nos reapresenta pontos e paisagens de uma cidade que a vida cotidiana de quem vive ou trabalha nela acaba por deixá-los despercebidos (para não dizer invisíveis). Há desde cenários idílicos como as praias e o cair da noite na Lagoa (tendo os simpáticos pedalinhos compondo o cenário) quanto as belezas de áreas mais desfavorecidas pelo poder público, caso da comunidade do Vidigal, que inspirou uma série de oito fotos.

E a artista mira sua lente do amor, com a devida licença de Gilberto Gil, para além da dicotomia entre as ditas “belezas” e “mazelas” – e as aspas não estão aqui por mero acaso – da cidade. Ao revelar suas impressões, ela também mostra-nos uma terceira cidade, de cenários sobrepostos, como vemos numa imagem onde estão a Praia de Ipanema e seu famoso calçadão. É como se a fotógrafa colocasse em xeque a própria noção de realidade (ou o que pensamos conhecer como tal) e quisesse, com isso, nos provocar uma espécie de estranhamento. E justo com aqueles que julgam conhecer tão a fundo o lugar em que vivem. Cariocas da gema ou por afinidade, natos ou por afinidade.

A ligação de Carla Nobre Mendes com a fotografia é antiga. Ainda criança, se deixou fascinar pelo carinho com que seu pai, o saudoso engenheiro Newton Nobre (que projetou o metrô de São Paulo), devotava ao que era para ele um hobby. Aos 13, ela deu seus primeiros cliques e não parou mais. E o trabalho com publicidade e cinema (passou pelas mais importantes produtoras do país) só aprimorou o seu olhar.

A ligação de Carla com o Rio também é antiga. Remonta às férias escolares, quando a família vinha à cidade. “Por que a gente não mora aqui?”, perguntava-se a menina. O tempo passou, e os trabalhos como diretora fizeram com que ela voltasse à cidade com mais e mais assiduidade. E a cada reencontro, lá estava ela com a câmera em punho. E, durante sete anos, compôs um numeroso acervo resultante desse seu olhar sobre o Rio. E parte dele é a razão de “Ímpar”.

 

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