Sala Cecília Meireles anuncia sua temporada para 2020

A Sala Cecília Meireles apresentou nesta segunda-feira, 2 de dezembro, sua Temporada Oficial 2020, numa coletiva de imprensa, seguindo duas diretrizes principais: sua missão institucional de difundir a música de câmara e a adequação do repertório às suas características acústicas especiais.

A Temporada Oficial 2020 tem o patrocínio-master da Petrobras, através da Lei Federal de Incentivo à Cultura, e está organizada em torno de festivais e séries com o objetivo de proporcionar ao público um mergulho na música de compositores ou períodos históricos através de concertos realizados em datas seguidas ou próximas. A maratona de apresentações, inspirada nos principais festivais europeus, permite a audição de uma obra no contexto mais amplo de toda a produção do autor, da época em que viveu e em comparação com a arte de seus contemporâneos.

1. Concertos de Abertura de Temporada e Festivais:

A programação inicia no dia 5 de março, Dia Nacional da Música Clássica e dia do nascimento  de Heitor Villa-Lobos, com a Orquestra Sinfônica da UFRJ tocando obras do aniversariante, de Alberto Nepomuceno e de Ernani Aguiar, compositor brasileiro que celebra seus 70 anos. Nos dias 6 e 7, Isaac Karabtchevsky, Fernando Portari e a Petrobras Sinfônica subirão ao palco da Sala Cecília Meireles com um repertório voltado ao século XX que inclui a “Serenata para tenor, trompa e cordas”, de Benjamin Britten.
O Festival Beethoven 250 apresentará no mês de maio a integral das sonatas para piano nas versões dos brasileiros Vera Astrachan, Eduardo Monteiro, Sérgio Monteiro, Juliana Steinbach, Aleyson Scopel, Leonardo Hilsdorf e Jean Louis Steuerman. Em setembro, será a vez de todas as sonatas para violino e piano com o Trio Porto Alegre e o Trio Aquarius, além dos seis últimos quartetos de cordas na interpretação do Quarteto Carlos Gomes. Nesse mesmo mês, o ciclo Beethoven visita Villa-Lobos, com a participação de músicos da Petrobras Sinfônica, colocará lado a lado obras com formações camerísticas semelhantes dos dois compositores. O duo formado pelo violoncelista americano Jed Barahal e pela pianista brasileira Christina Margotto apresentará em outubro toda obra para violoncelo e piano do compositor alemão.

Outubro será o mês dedicado à música barroca: o Festival Viva Bach! iniciará com as três apresentações da Orquestra Johann Sebastian Rio tocando os cinco Concertos de Brandenburgo e os concertos para cravo. Logo depois, será a vez da integral das “Suítes para violoncelo” que Antônio Meneses interpretará em dois dias seguidos. A Sala Cecília Meireles receberá ainda o Centre de Musique Baroque de Versailles, trazendo obras de compositores franceses que viveram à época de Bach, e o Baroque in Rio, coordenado pela cravista Rosana Lanzelotte.

Os 170 anos de Leopoldo Miguez e o centenário de morte de Alberto Nepomuceno são os eventos centrais do Festival da Música Brasileira da Belle Époque Carioca que acontecerá em agosto. Serão ouvidas obras dos dois compositores e de seus contemporâneos, como Henrique Oswald e Ernesto Nazareth. Participarão as pianistas Clélia Iruzun, Maria Teresa Madeira e o Quarteto de Cordas da UFF. Em dezembro, a pianista Sonia Rubinsky apresentará a integral da obra pianística de Nepomuceno, que se será gravada pelo selo Naxos. A Música Brasileira da Belle Époque Carioca será também tema  do curso aberto ao público que será coordenado por André Cardoso e realizado no Espaço Guiomar Novaes.

Os seis concertos do Festival Sala Contemporânea acontecerão em duas semanas no mês junho. As pianistas Marina Spoladore e Ingrid Barankoski, a soprano Doriana Mendes, o grupo Abstrai Ensemble, o Quinteto de Sopros do Movimento Patrimonial da Música Portuguesa, de Lisboa, e o Quarteto Radamés Gnattali apresentarão um repertório voltado para a música dos séculos XX e XXI, incluindo a estreia de uma obra encomendada à compositora espanhola Zulema de la Cruz.

Em julho, o Festival Cantares trará ao palco da Sala cinco recitais dedicados ao repertório vocal com acompanhamento de piano e quarteto de cordas. Inácio de Nonno, Homero Velho, Carla Cottini, Fernando Portari, José Hue e o uruguaio Alfonso Mujica catarão obras de Nepomuceno, Mahler, Schumann, Wolf, Fauré e outros compositores brasileiros e estrangeiros.

2. Séries:
Além dos festivais, concertos de diversas séries estão distribuídos por toda a temporada.  A Série Pianistas começará em março com a talentosa mexicana-americana Daniela Liebman, de 17 anos, interpretando obras de Prokofiev, Schubert, Debussy e Chopin. O italiano Alessio Bax tocará em novembro um interessante repertório que inclui peças de Bach, Rachmaninoff e Dallapiccola. Em dezembro, o recital da brasileira Ligia Moreno será dedicado às “Variações Diabelli”, de Beethoven.

Beethoven também estará presente na Série Orquestras. A  Orquestra Sinfônica Nacional da UFF subirá ao palco da Sala em junho com Daniel Guedes como solista e regente do “Concerto para violino e orquestra”. As Sinfonias 3, 4, 7 e 8 do compositor alemão serão ouvidas pela Petrobras Sinfônica em concertos dirigidos por Tobias Volkmann e Carlos Prazeres em agosto e setembro.
A Série Sala Instrumental trará ao palco da Sala artistas que transitam com igual competência entre a música de concerto e a música popular: Jaques Morelenbaum, Lula Galvão, Rafael Barata, Carla Rincón, Elodie Bouny, Marcelo Caldi, André Mehmari, os franceses do Trio Barthelemy, a música de Piazzolla na versão do Harmonitango, Francis Hime e suas canções em versões camerísticas.

O grupo vocal De Caelis inaugurará em abril a Série Brasil-França, que tem a parceria do Consulado Geral da França no Rio de Janeiro. Em dois outros concertos, Daniel Guedes, Simone Leitão, Fábio Micheletti e Clara Sverner interpretarão obras de Saint-Saëns, Ravel e Debussy.

A Série Música de Câmara começará em março a violinista Ning Kam, a violoncelista Judith Ermert e a pianista Sylvia Tereza tocando trios de Mozart, Rachmaninoff e Brahms. Em abril, celebraremos os 160 anos de Gustav Mahler com a mezzo Lara Cavalcanti, o tenor Giovanni Tritacci e o grupo de câmara da Orquestra Bachiana Brasileira dirigido por Ricardo Rocha interpretando a versão que Schoenberg escreveu para “A canção da Terra”. O violonista Fabio Zanon tocará obras de Byrd, Turina, Bautista e Mignone em seu recital no mês de outubro e, em novembro, os pianistas Flavio Augusto e Giulio Draghi, os percussionistas Pedro Sá e Janaína Sá apresentarão obras de Ronaldo Miranda, Brahms e Bartók para dois pianos e percussão. A Série Música de Câmara se encerrará com o pianista Jean Louis Steuerman e o ator/diretor Daniel Herz revisitando o melodrama “Enoch Arden”, que tem poesia de Alfred Tennyson e música de Richard Strauss.

A Série Concertos para todas as famílias trará ao palco da Sala sete apresentações do programa radiofônico Blim-Blem-Blom, de Tim Rescala, sábados ao meio-dia, com transmissão ao vivo pela MEC FM. No Dia das Crianças, o grupo Pequeno Teatro do Mundo apresenta com marionetes a ópera de Ravel “O menino e os sortilégios”. Além disso, todos os concertos terão ações de formação de plateia para estudantes e participantes de projetos sociais que utilizam a música como ferramenta de integração.
3. Venda de assinaturas e novo horário de concertos:

A Sala Cecília Meireles colocará à venda assinaturas para o Festival Beethoven 250 a partir do início do ano. Outra novidade será a antecipação do horário dos concertos para 19 horas nos dias de semana e aos sábados e 17 horas aos domingos.

4. Outras ações:
A Sala Cecília Meireles iniciará em 2020 o Programa de formação de gestores de salas de concerto para estudantes da Escola de Música Villa-Lobos, Escola de Música da UFRJ e Instituto Villa-Lobos da UNIRIO. Aproveitando a oportunidade que o Congresso Mundial de Arquitetura acontecerá no Rio de Janeiro em 2020, promoveremos também um Simpósio sobre a reforma de 2010-2014 da Sala Cecília Meireles abordando os processos de restauro do prédio construído como hotel em 1896, a nova arquitetura interior e o projeto de acústica que tornou a Sala o palco de referência para música de câmara no país.