Denise Fraga protagoniza “Galileu Galilei” em montagem no Teatro João Caetano

Drama

Sessenta anos depois da morte de Bertolt Brecht, Galileu Galilei estreia, pela primeira vez, com uma mulher no papel-título: Denise Fraga.

“Galileu carrega em si todas as contradições. É herói e anti-herói. E lança uma pergunta: Até que ponto posso ser fiel ao que penso sem sucumbir ao poder vigente?", explica Denise.

A peça estreia na sexta-feira, 1° de julho, para uma curtíssima temporada popular no Teatro João Caetano, espaço da Secretaria de Estado de Cultura/FUNARJ.

Com direção de Cibele Forjaz, o clássico do dramaturgo alemão, já assistido no Brasil por mais de 90 mil pessoas, chega ao Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, após grande sucesso em São Paulo.

O  texto conta a história de uma das maiores injustiças cometidas pela Igreja Católica, num trágico embate entre razão e religião. “Galileu achava que podia se aliar ao poder para viver bem e ainda assim conservar sua liberdade" fala a diretora Cibele Forjaz.

Dez atores em cena tocam diversos instrumentos e cantam músicas originais de Lincon Antônio e Théo Werneck.

Diferente da montagem histórica de Zé Celso, realizada em 1968 no Teatro Oficina, aqui a dramaturgia foi confeccionada a quatro mãos por Christine Röhrig, Cibele Forjaz, Denise Fraga e Maristela Chelala. “A clareza de raciocínio, o humor, o fio inebriante por onde Brecht escolhe contar suas histórias nos leva passo a passo a um profundo estado de reflexão”, afirma Denise. Na Itália do século XVII, Galileu é obrigado a mentir sobre sua descoberta de que o Sol é o centro do universo, e não a Terra. Somente em 1992, mais de três séculos após sua morte, o astrônomo é absolvido. E Denise completa:”Será que precisaremos negar nossas maiores verdades, como Galileu, para não ir para a fogueira? Acho que fazemos isso todos os dias. Essa é a questão.” .

Protagonista de outra grande obra de Brecht, A Alma Boa de Setsuan (2008-2010), Denise agora interpreta o cientista italiano, como nunca feito antes, e se reveza sendo narradora e personagem. A atriz, que tem 32 anos de carreira, é também idealizadora do projeto, e faz questão de receber o público na porta do teatro ao lado de todo o elenco.‘‘O que eu espero é divertir as pessoas com um espetáculo festivo e fazê-las sair do teatro pensando em qual será a nossa alternativa para escapar desta areia movediça, reiterar a fé na ideia de que o conhecimento e a razão humana ainda são os melhores instrumentos de luta contra a repressão, a injustiça, a miséria e o único caminho possível para o avanço social", conclui.

Autoria: Bertolt Brecht

Direção: Cibele Forjaz

Elenco: Denise Fraga, Ary França, Lucia Romano, Theo Werneck, Maristela Chelala, Vanderlei Bernardino, Jackie Obrigon, Luis Marmora, Silvio Restiffe e Daniel Warren

Dias da semana: Quinta, Sexta, Sábado, Domingo

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